História da Contabilidade: na Antiguidade, na Idade Média, na Idade Moderna

Com a publicação do Decreto-Lei 9.295,46, e suas alterações posteriores, que se deu a criação do Conselho Federal de Contabilidade e dos Conselhos Regionais de Contabilidade, o Conselho Regional de Contabilidade do Estado de São Paulo (CRCSP) editou uma especial escrita intitulada “AOS 70 ANOS DO CRCSP”, pela Casa do Profissional da Contabilidade, na qual reproduzimos a respeito do assunto em destaque.

Com bem estão mencionados no presente estudo aprofundando acerca da origem da contabilidade “Os 70 Anos do CRCSP” escreveu no primeiro parágrafo.

“A Contabilidade é uma prática que está ligada a trajetória humana. Ela cresceu a partir dela e, então, como num ciclo infinito, passou alimentá-la”

Vamos ao importante e singelo texto extraído da obra Os 70 Anos do CRCSP, da Casa do Profissional da Contabilidade.

Edmilson Antonio de Paula. É Bacharel em Ciências Contábeis e Especialista em Contabilidade Pública. É Contador, cargo efetivo, no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo, do campi Barretos (IFSP/BRT). O IFSP é uma autarquia federal vinculada à Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica (SETEC) do Ministério da Educação (MEC).

OS 70 ANOS DO CRCSP

CASA DO PROFISSIONAL DA CONTABILIDADE

UMA CONTEXTUALIZAÇÃO HISTÓRICA A RESPEITO DA CONTABILIDADE NO BRASIL E NO MUNDO

                A Contabilidade é uma prática que está ligada à trajetória humana. Ela cresceu a partir dela e, então, como num ciclo infinito, passou a alimentá-la.

No Brasil isso não foi diferente, afinal, não somos um país à parte do globo. Seguimos nosso próprio caminho, mas sempre dentro do contexto mundial, o que foi refletido também na contabilidade brasileira, que, apesar de se destacar no cenário mundial, também se alimentou de fontes externas.

Aqui, entendemos a evolução das práticas contábeis desde a antiguidade, passando pelas Idades Média e Moderna, até a chegada dos portugueses ao Brasil. A partir daí vemos como os profissionais da contabilidade ajudam a moldar o país que temos hoje, como eles de organizam como classe e como surgem os Conselhos Regionais e Federal.

UM PANORAMA HISTÓRICO

CONTABILIDADE NA ANTIGUIDADE

O inventário foi o primeiro motivo pelo qual a humanidade começou a fazer registros quantitativos. Por isso, podemos afirmar que a contabilidade existia desde antes da invenção da escrita.

A história da contabilidade se iniciou com a necessidade dos primeiros Homo Sapiens em controlar aquilo que produziam. Seja com ferramentas, armas ou cabeças de gado, o ser humano já exercia um tipo rudimentar de contabilidade para controlar melhor seus rendimentos.

Conforme a população humana foi crescendo e se desenvolvendo, houve maior necessidade de aprimorar esse controle. Isso pode ser notado em diversas partes do mundo. Há fichas de barro encontradas nos territórios que hoje são o Irã, a Turquia, Israel, Síria e Iraque, contendo marcas que registraram a contagem de rebanhos. Em 3.500 a.C., na Mesopotâmia, o excedente de produtos agrícolas criou uma situação de maior conforto em relação ao que se viveu até então. Isso fez com que parte da população Suméria, habitantes da região pudesse dedicar suas vidas às práticas comerciais e à manufatura. Com uma sociedade mais populosa e mais complexa, o governo vigente passou a recolher impostos e surgiu a necessidade de registrar e controlar o pagamento destes. A escrita cuneiforme, criada pelos próprios sumérios, foi a forma pelo qual estes registros foram feitos.

CURIOSIDADE

Sistema de Contabilidade Inca

No continente americano, os incas tinham seu próprio sistema de contabilidade por volta de 2.000 a.C., o chamado quipo, um sistema de cordas nas quais eram dados nós, que significavam valores diferentes.

 

Escrita Cuneiforme

Contrato Sumeriano na Escrita Cuneiforme

A escrita cuneiforme era praticada com objetos em tabuletas de argila para gravar os pictogramas. Quando queriam que o registro fosse permanente, bastava esquentar as tabuletas em um forno para que a marca não saísse mais.

CONTABILIDADE NA IDADE MÉDIA

É uma era marcada por guerras, mas, ao mesmo tempo, um momento de intensas trocas culturais.

Também conhecida como Idade das Trevas, a Idade Média é tida como um momento de ignorância no qual todo o conhecimento ficava nas mãos da Igreja Católica. Mas isso não faz jus a todos os grandes acontecimentos do período.

É uma era marcada por guerras, mas, ao mesmo tempo, um momento de intensas trocas culturais. Com a expansão muçulmana do século VII, o Norte da África e a Península Ibérica passaram por grandes transformações, sendo profundamente alteradas pela presença da cultura árabe, que se mesclou de diversas maneiras com a cultura ibérica. O resto da Europa, principalmente a península itálica, apesar de não se tornar domínio muçulmano, também foi influenciada pela nova cultura que chegava.

Por toda a Europa, surgiram centros comerciais, e a Península Itálica se destacou nesse contexto, começando a ganhar cada vez mais poder sobre o Mar Mediterrâneo, ponto crucial de troca entre a Europa, a Ásia e a África. Cidades como Gênova, Florença, Veneza e Pisa tornaram-se referências comerciais e científicas e isso fez com que os italianos subissem o próximo degrau na evolução da contabilidade.

No ano de 1202, o matemático italiano Leonardo Fibonacci, escreve um livro que revolucionou o modo de pensar europeu. Trata-se do Liber Abaci, um escrito sobre aritmética que tem como maior triunfo ter introduzido os algarismos arábicos no mundo ocidental. Isso foi uma verdadeira revolução no pensamento contábil, tanto que estes são os algarismos que usamos até hoje!

Leonardo Fibonaci. Nascido em Pisa, na Itália, em 1170, filho de um mercador, Leonardo teve contato com atividades comerciais desde muito cedo. Passou muito tempo no norte da África com seu pai e lá entrou em contato com outras culturas, aprendendo, além dos algarismos arábicos, técnicas matemáticas ainda desconhecidas no ocidente.

CONTABILIDADE NA IDADE MODERNA

                Esse foi o período das Grandes Navegações, quando os europeus disputam violentamente o domínio do Novo Mundo e o potencial de crescimento econômico que ele traria para a Europa.

A partir do século XV, a Europa passou por mais mudanças drásticas em sua cultura. No ano de 1453, o Império Otomano tomou o Império Romano do Ocidente, fato que marcou tradicionalmente o início da Era Moderna. Trata-se de um período no qual os Estados Modernos começaram a ganhar força e o poder passou a ser centralizado na figura dos reis absolutistas. Essa nova forma de poder pode ser resumida na famosa frase do rei francês Luís XIV: “O Estado sou eu”. Portanto, vivia-se um período de forte intervenção estatal na economia, na qual o protecionismo e o acúmulo de capitais foram as regras.

Esse também foi o período das Grandes Navegações, quando os europeus disputam violentamente o domínio do Novo Mundo e o potencial de crescimento econômico que ele traria para a Europa. Quem tivesse mais poder sobre a América teria mais matéria-prima, mais metais preciosos e, portanto, mais capital.

Nesse contexto, foram necessárias práticas contábeis sólidas. Novamente na Península Itálica, na região da Toscana, mais um importante avanço da contabilidade aconteceu, através de outro matemático: Luca Pacioli. No ano de 1494, ele terminou sua obra máxima, La Sussina de Arithmetica, Geometria, Proportionalitá, na qual escreveu um capítulo tratando apenas sobre contabilidade e lá teorizou o sistema de partidas-dobradas, princípio contábil segundo o qual todo lançamento a crédito numa conta faz com que outra conta onde é registrada a mesma importância a débito. Isso mudou completamente a forma de fazer contabilidade em toda a Europa e, com as Grandes Navegações, este método foi trazido às Américas.

Luca Pacioli. Nascido em Sansepolcro, Itália, em 1445, é considerado o pai da contabilidade moderna. Era um monge franciscano que dedicou sua vida à Matemática e à Teologia, chegando a ser professor em diversas regiões da Itália. Foi professor de ninguém menos que Leonardo Da Vinci.