A Vida de Aristóteles

“O melhor indicador do caráter de uma pessoa é como ela trata as pessoas e como ela trata as pessoas que não podem lhe trazer benefício algum”. – Abigail Van Buren.

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Dessa maneira, queremos compartilhar os escritos sobre a Vida de Aristóteles, que extraídos trechos do capítulo 3 – A Fome pela Verdade, páginas 96/103, do livro Aristóteles para quem busca a felicidade: a resposta da filosofia para aquilo que todos nós buscamos, de autoria Jean Vainer, – São Paulo – Editora Gente: 2016.

Ainda sobre Aristóteles, esse grande homem, seguem pensamentos seus, extraídos do site Tudo por Email.

Outro grande filósofo e poeta da China Antiga, “Lao-Tsé”, que extraídos igualmente do site Tudo por Email: as melhores frases.

Eis os textos e sábios escritos, vamos lá.

A VIDA DE ARISTÓTELES

Aristóteles era um daqueles homens bastante cultos, que sabia como ouvir e era apaixonadamente interessado pela realidade, além de curioso a respeito de tudo o que havia para ser descoberto. Homens desse tipo permanecem alertas e atentos, sem, entretanto, se deixarem sobrecarregar de informações, pois têm bom julgamento. Eles sabem de que modo distinguir entre o que é verdadeiro e falso, entre o que é essencial e secundário. São firmes e abertos, além de capazes de entusiasmar. Eles sabem como se juntar no calor de uma busca, mas também sabem como parar, permanecer em silêncio, olhar e contemplar. Eles buscam reunir seus conhecimentos, estabelecer uma unidade em si mesmos. É por isso que eles ficam tanto tempo isolados, para meditar e internalizar o que sabem para avaliar as coisas. Estão menos interessados na soma total de seu conhecimento que em ter uma visão exata do mundo; menos interessado no que os outros pensam deles que na verdade propriamente dita. Não acho que seria exagerado dizer que Aristóteles era mais ou menos assim, embora fosse um tipo de enciclopédia ambulante. Platão o apelidou de “O Leitor”.  Antes de alcançar esse estágio, entretanto, ele teve de trilhar seu caminho conforme seu talento particular.

Quando Aristóteles chegou a Atenas, tinha apenas 17 anos. Era filho de Nicômaco (nome que mais tarde ele daria ao filho, nascido de um segundo casamento), médico do rei Amintas, pai de Felipe II da Macedônia. Além disso, Aristóteles mais tarde retornará à Corte da Macedônia, convidado por Felipe, para ser o tutor de seu filho Alexandre.

Até que ponto Nicômaco, o pai, influenciou Aristóteles, o filho? É difícil dizer. Aristóteles perdeu ambos os pais ainda muito cedo em sua vida, aos 11 anos. Contudo, ninguém que tenha atrás de si uma lista tão longa de médicos – em sua família, a sucessão era passada de pai para filho – deixará de herdar algo de valor nessa área. Não existe a menor dúvida de que Aristóteles deve à sua ancestralidade seu interesse pela realidade. Sua paixão pelo mundo vivo – algo que ele estudou em todos os aspectos e, inclusive, dissecou a ponto que ele próprio se tornou como “pai da Biologia”.

Em Atenas, seu primeiro mestre foi Platão, homem cujo temperamento diferia bastante do de Aristóteles. Enquanto Platão gostava de se aventurar na esfera da pura contemplação, dando as costas para a realização lógica. Aristóteles queria permanecer constantemente em contato com o real. Ele amava todas as formas de experiência, sem, entretanto, jamais entrar em conflito com o que era sensato e prático. Nosso mundo é o “sublunar”, ele diria mais tarde, ao elaborar seus estudos de cosmologia. Esse mundo “abaixo da lua” foi o único ao qual fomos chamados a habitar.

Por ora, podemos imaginar Aristóteles, logo depois de completar 18 anos, sob a tutela de Platão. Confrontado com as escolas filosóficas que existiam em Atenas – pelo menos duas em sua época, sem mencionar os retóricos e outros sofistas -, Aristóteles não hesitou. Ele escolheu a Academia, que fora fundada por Platão vinte anos antes. Em uma cidade no auge de sua efervescência intelectual, a escola se diferenciava com um brilho especial. Era lá que os buscavam a verdade se tornavam os filósofos-reis do amanhã. Havia uma necessidade urgente por esses homens, tanto de uma perspectiva filosófica quanto do governo da cidade. Atenas caíra num estado democrático frouxo e negligente, próximo de uma anarquia, e precisava de nova inspiração. Na escola de Platão, os homens aprendiam a contemplar a “cidade ideal”, precisamente para poderem aplicar suas ideias.

Aristóteles estava mais que interessado; ele se sentia fascinado pela poderosa inspiração de um mestre que era, ao mesmo tempo, brilhante e envolvente. Com Platão, ele aprendeu a ter fome pela verdade e pela contemplação essencial. Ele beberia profundamente daquela fonte. Por vinte anos, com olhos e ouvidos bem abertos, ele absorveu tudo por cada um de seus poros. Platão deu a ele o apetite pela reflexão, pela compreensão e pelo seguimento do seu pensamento além dos limites na procura de causas finais. Ele exercitou sua mente de modo bem parecido como um atleta costuma fazer com seus músculos. Tudo o que interessava: política, questões humanas e também as de caráter celestial, como a natureza, as estrelas. Ele se atirou completamente na busca pela verdade.

Platão, por sua vez, reparou em Aristóteles, referindo-se a ele não, apenas como “O Leitor”, mas também como “cabeça pensante”, o que era tão bom quanto chamá-lo de cérebro da escola. Logo Platão o transformou em seu assistente. Aristóteles saiu-se tão bem que se tornou responsável por um curso de retórica. Ele permaneceria na academia por vinte anos, até a morte de Platão. Ainda assim, o discípulo não concordava plenamente com seu mestre, em especial no que dizia respeito a sua abordagem da realidade. Para Platão, a realidade existente era enganosa. A política lhe confirmara isso quando Atenas, uma cidade supostamente tão apaixonada pela justiça, condenava à morte “o mais justo entre todos os homens”, Sócrates, que se recusara a seguir adiante com um projeto cuja honestidade era duvidosa, onde estava a verdadeira justiça – aquela que não era fraudulenta? Ela era apenas visível para os olhos da alma que deseja ascender do mundo visível para o invisível – o mundo das ideias. Era essa contemplação da ideia, ou do modelo perfeito, da justiça – justiça em si mesma e voltada para o próprio bem – que poderia inspirar decisões justas. Em resumo, para Platão, a verdadeira realidade não era visível, tampouco “sensata”, como aquela percebida pelos sentidos. Ela estava além desse mundo; ela o transcendia.

Aristóteles, em contrapartida, chegou a uma conclusão diferente. Ele se sentia fortemente atraído por tudo o que acontecia no mundo material. Ele gostava de tocá-lo, dissecá-lo. Acreditava ser possível desenvolver conhecimento começando apenas com aquilo que era apresentado aos nossos sentidos, nosso toque, nossa visão, nossa audição – em suma, nossa experiência. Ele também queria, alcançar uma compreensão profunda e cabal da realidade. Aristóteles sabia que isso era impossível de atingir apenas com os olhos da mente ou a inteligência. Para ele, entretanto, o esforço da mente, sua tensão, alguém poderia dizer – era uma tentativa de penetrar naquilo que era material e visível, ganhar acesso ao âmago das coisas, enquanto para Platão esse esforço consistia em afastar-se da realidade sensata, rumando para aquilo que repousava além do inteligível.

Em que momento Aristóteles se distanciou de seu mestre? Enquanto ainda estava na academia? Mais tarde, quando se fechou numa vida solitária? Ou somente quando, depois de se tornar o mestre de uma escola, ele adquiriu sua própria importância como filósofo? Especialistas no assunto ainda debatem essa questão. Sabemos apenas que ele tentou o método dialético do Platão: os poucos fragmentos dos seus diálogos socráticos que ainda existem comprovam isso. Ainda assim, mesmo nesses escritos antigos, nos quais ele imita o homem que o instruirá. Aristóteles não se mostra em perfeita sintonia com Platão. Ele tem sua própria maneira de pensar. Sabemos o que lhe custou distanciar-se desse modo graças a algo que confidenciou em Ética a Nicômaco. Isso aparece de forma discreta como um comentário à parte no Livro I, no ponto em que ele discute precisamente a tese de Platão.

(…) é preferível e é mesmo nossa obrigação destruir o que nos toca mais intimamente a fim de salvaguardar a verdade, em especial por sermos filósofos e amantes da sabedoria; porque, embora ambos nos sejam caros, a piedade exige que honremos a verdade acima de nossos amigos.

Aristóteles transformou a busca pela verdade no eixo principal de sua vida. Ao entrar na academia, ele já optara pela verdade. Na óptica de Platão, não havia esperança de alguém tornar-se um bom filósofo antes de chegar aos 50 anos, e, ainda assim, essa pessoa teria de buscar a verdade com toda a sua alma. Isso quer dizer que teria de dedicar a melhor parte de si, senão todo o seu ser a essa empreitada. Em a República diz: “ninguém deveria mostrar mais respeito por um homem que pela verdade”.

Com a morte de Platão, a situação se resolveu sozinha. Platão alcançara uma idade avançada, enquanto Aristóteles atingira total maturidade como homem: ele tinha 38 anos. Ele poderia ter assumido o controle da academia, e quem sabe dado a ela uma ênfase diferente, mas não foi isso o que aconteceu. A academia acabou ficando nas mãos de Espêusipo, sobrinho de Platão. Assim, Aristóteles fez as malas e seguiu seu próprio caminho. Ele retornou para mais perto de sua origem macedônia, indo para a ilha de Lesbos. Lá, tornou-se homem que apreciava a vida ao ar livre, passando a explorar todas as coisas da natureza: não apenas a fauna e a flora, mas também o céu e seus habitantes quase divinos, as estrelas.

A extraordinária abundância de vida, entretanto, não o assustou; pelo contrário, ele ficou fascinado. Sua obra História dos Animais o mostra engajado em contar o número de guelras nos peixes ou de espécies de pássaros. Ele também estudou profundamente os movimentos no céu, pelo que parece a ponto de conseguir prever a passagem de um cometa. Aristóteles era do tipo do homem obstinado em sua determinação de compreender de que modo o mundo funcionava e para onde estava indo. Ele anotava e classificava o que enxergava, buscando definir tão bem quanto possível as articulações da realidade observada. Ele se baseava profundamente nos fatos para evitar perder-se do imaginário.

Aristóteles desconfiava da ilusão que pode acompanhar o entusiasmo por certas teorias.

Discussões sobre questões que dizem respeito a sentimentos e ações são nossos confiáveis que fatos; assim, entram em conflito com os fatos da percepção acabam sendo desprezados e, inclusive, desacreditando a própria verdade (…). Os argumentos verdadeiros parecem, portanto, mais úteis, não apenas para a ciência, mas também para a própria vida, uma vez que ambos se harmonizam; com os fatos, passamos lhes dar crédito, e, desse modo, aqueles que acreditam nesses argumentos se sentem estimulados a viver de acordo com eles.

Esse é outro ponto divergente entre Aristóteles e Platão. Platão prontamente se valia de mitos como uma introdução para a contemplação de ideias; ele era um poeta. Utilizava-se da imaginação para ampliar a inteligência. O método de Aristóteles era bem diferente. Se ele acumulava observações em todos os campos possíveis – imagine seu extraordinário compêndio de constituições políticas; seu minucioso e detalhado estudo de caráter humano encontrado mais além da Ética -, era porque desejava permanecer tão próximo quanto possível do que as coisas realmente representavam. Essas coisas não poderiam ser conhecidas sem o contato, sem o toque físico – e por toque compreendem-se todos os sentidos. Henri Bergson, filósofo dos nossos tempos, tem um bom entendimento desse processo pelo qual as coisas são conhecidas na visão de Aristóteles: “Seria como entender a visão dos olhos para a visão da mente (…). Como, por meio de um esforço poderoso da visão mental, penetrar no material que recobre cada elemento e ler sua fórmula – invisível a olho nu – que o formato material se revelava e manifestava.

Se as coisas se apresentam para serem vistas, é por causa do contato que temos com elas, pela conexão quer leva a inteligência a compreender, em nível profundo, sua inteligibilidade e sua própria razão de existir.

Aristóteles: Pérolas da Sabedoria da Antiguidade

Por Tudo por Email, o que há de interessante

Aristóteles é constantemente citado como um dos maiores filósofos, não apenas da antiguidade, mas em toda a história da humanidade até os dias de hoje. Você não precisa concordar com todas as suas palavras para desfrutar de toda a sua sabedoria, você também não precisa ser um grande perito em filosofia, ou passar anos e anos analisando suas palavras. Confira agora 14 importantes frases desse grande homem, que ensinou ninguém menos que Alexandre, o Grande, e foi um fiel aluno de Platão.

“O sinal de uma mente educada é ser capaz de entreter um pensamento sem aceitá-lo”.

“Excelência nunca é um acidente. É sempre o resultado de grande intenção, esforço sincero, inteligência e execução. Isso representa a escolha sábia entre muitas alternativas – a escolha, e não o acaso, é que determina o destino”.

“Não há nenhum grande gênio sem uma mistura de loucura”.

“O que está em nosso poder para fazer, encontra-se em nosso poder para não fazer”.

“A pior forma de desigualdade é tentar tornar as coisas desiguais, iguais”.

“Para evitar críticas, não diga nada, não faça nada, não seja nada”.

“Conhecer a si mesmo é o começo de toda a sabedoria”.

“A paciência é amarga, mas seu fruto é doce”.

“É praticando as ações justas que nos tornamos justos, praticando as ações moderadas que nos tornamos moderados, e praticando as ações corajosas que nos tornamos corajosos”.

“Sem amigos ninguém conseguiria viver, mesmo possuindo todos os demais bens”.

“É nos momentos mais escuros que devemos focar para ver a luz”.

“O prazer no serviço coloca a perfeição no trabalho”.

“Aqueles que sabem, fazem. Aqueles que compreendem, ensinam”.

“O homem sábio não se expõe necessariamente ao perigo, uma vez que existem algumas coisas pelos quais ele se preocupa suficientemente, mas está disposto em grandes crises, a dar sua vida – sabendo que, sob certas condições, não vale a pena viver”.

As Melhores Frases de Lao-Tsé

Por Tudo por Email, o que há de interessante

Lao-Tsé era um filósofo e poeta da China Antiga, mais conhecido por ser o renomado autor do Tao Te Ching e fundador do taoísmo filosófico, além de ser venerado como divindade em religiões tradicionais chinesas. Uma figura lendária, suas obras são datadas em torno do século 6 a.C, e acredita-se que foi um contemporâneo de Confúcio. Aqui estão algumas das melhores frases do pensador, para um momento de reflexão.

“Todos os córregos vão em direção ao mar porque ele está mais abaixo. A humildade é o que lhe traz a força”.

“Não há nada no mundo mais fraco e submisso que a água. Mas também não há nada melhor para combater aquilo que é duro e forte”.

“Se você quer governar as pessoas, precisa se colocar abaixo delas. Se você quer liderá-las, precisa aprender a segui-las”.

“O silêncio pode ser fonte de uma grande força”.

“Preocupe-se com a aprovação dos outros e será seu prisioneiro”.

“Conhecer os outros é inteligência; conhecer a si mesmo é sabedoria. Ter mestria sobre os outros é ter força; ter mestria sobre si mesmo é ter o verdadeiro poder”.

“Aquele que tem poder sobre os outros não consegue capacitar a si mesmo”.

“Você tem a paciência de esperar que a lama assente e a água fique limpa? Você consegue permanecer imóvel até que a ação correta se apresente”?

“Se você quer encolher algo, deve permitir que ele se expanda. Se quer se livrar de algo, deve permitir que ele floresça. Se quer ter algo, deve permitir que ele lhe seja entregue. Essa é a sutil percepção de como as pessoas funcionam”!

“É com o desprendimento que as coisas são feitas. O mundo é vencido por aqueles que se desprendem. O mundo não pode ser ganho por quem tenta conseguir isso”.

“No centro do seu “ser”, você tem a resposta: você sabe quem é e o que quer”.

“O suave supera o duro. O vagaroso supera o rápido”.

“Quando me desprendo de quem sou, me torno quem posso ser”.

“Não dê ao mal ao qual se opor e ele desaparecerá sozinho”.

“Aquele que corre sozinho à frente não vai muito longe”.

“Aquele que tenta brilhar diminui sua própria luz”.

“Expresse-se por completo, e então fique em silêncio. Seja como as forças da natureza: quanto vento, só há vento; quando chove, só há chuva; quando as nuvens passam, o sol brilha”.

“Dominamos o mundo quando deixamos que as coisas sigam o seu curso. Ele não pode ser dominado pela interferência”.

“Se você quer tornar-se inteiro, deixe-se ser parcial. Se quer tornar-se reto, deixe-se curvar. Se quer tornar-se cheio, deixe-se esvaziar. Se quer renascer, deixe-se morrer. Se quer que tudo lhe seja entregue, entregue tudo”.

“Aquele que se agarra ao trabalho não cria nada que dura”.

“Sábio é aquele que sabe o que não sabe”.

“Ser profundamente amado por alguém lhe dá forças. Amar alguém profundamente lhe dá coragem”.

“O sábio não acumula. Quanto mais ele ajuda aos outros, mais se beneficia. Quanto mais lhe entrega, mais ele recebe. O caminho do Paraíso faz bem, mas nunca fere. O caminho do sábio é agir, mas não competir”.

“Fique contente com o que tem, alegre-se com as coisas como são. Quando você percebe que não lhe falta nada, o mundo é seu”.

“Recomeços estão frequentemente disfarçados de dolorosos fins”.

“Quando você estiver contente em simplesmente ser si mesmo, e não se comparar ou competir com os outros, todos os respeitarão”.

“A saúde é a maior posse; o contentamento é o maior tesouro; a autoconfiança é o maior amigo”.

“Quando percebe que tem o suficiente, você fica rico”.

 

Edmilson Antônio de Paula

É contador no Instituto Federal de Educação de São Paulo, do campus Barretos. É bacharel em ciências contábeis e especialista em contabilidade pública